Danny e Daniel Chavis - The Veldt
Danny e Daniel Chavis – The Veldt

O The Veldt é uma banda de rock alternativo formada em 1986, pelos irmãos gêmeos Danny, na guitarra, e Daniel Chavis nos vocais. Além dos irmãos, integram a banda o baterista  Marvin Levi e o produtor Hayato Nakao.

Aqui no Sopa já falamos de vários artistas que foram pioneiros em diversos sub gêneros do rock, mas que não tiveram o seu trabalho reconhecido e passaram a vida lutando para conseguir fazer aquilo que mais gostavam, apenas porque a cor da pele deles não correspondia com os padrões do rock embranquecido.

É o caso de bandas como o Death, que levou quase quarenta anos para conseguir reconhecimento com o seu proto-punk, ou o Pure Hell, banda notavelmente pioneira no punk. Na nossa série de posts sobre as mulheres negras no rock não foi diferente, além de Tina Bell, que foi totalmente apagada da história do grunge. Mais uma vez vamos honrar mais uma banda pioneira, inovadora e importante, que ficou de fora dos livros de história do rock.

O The Veldt figura na lista da Pitchfork com um dos 50 melhores álbuns de shoegaze de todos os tempos. O álbum “Afrodisiac” de fato é cheio de músicas que se tornariam hits instantâneos na década de 90, canções como “Heather”, “Soul in a Jar” e “Revolutionary Sister” provavelmente tocariam sem parar nas rádios da época, mas os irmãos Chavis enfrentaram barreiras que iam além do talento da banda e que impediram de alcançar o sucesso de nomes como Jesus and Mary Chain (que remixaram o hit Soul in a Jar).

Veja o vídeo com o perfil da banda nos anos 1990:

O The Veldt tem influencias de bandas como o The Cure, Prince, Cocteau Twins, Echo & The Bunnymen e the Jesus and Mary Chain, além de misturar ritmos como o soul em suas músicas. Os dois irmãos são naturais de Chapel Hill, na Carolina do Norte e começaram a tocar em festas e casas de show da região antes de conseguirem assinar um contrato com uma grande gravadora.

Veja também:
Tina Bell: uma mulher negra ajudou a fundar o grunge
Pure Hell: os pioneiros do punk
O punk antes do punk com a banda Death

Na época a banda chegou a tocar com o Jesus and Mary Chain e excursionou com o Cocteau Twins pelos EUA em 1993, chegando a receber um convite da banda para uma turnê pela Europa, mas a gravadora não permitiu que o The Veldt seguisse com o Cocteau Twins, dizendo que tinha outros planos para eles.

The Veldt nos anos 1990. Foto: Michael Galinsky.
The Veldt nos anos 1990. Foto: Michael Galinsky.

Em um dos shows da turnê com o Cocteau Twins  alguém perguntou porque um bandos de “criolos” estava abrindo para a banda. Daniel abriu o show então com essa frase: “Senhoras e senhores, antes do show, nos perguntaram porque uma banda negra está abrindo para o Cocteau Twins. Nós estamos prestes a ver.” Após terminarem a apresentação a banda foi ovacionada.

Os irmãos Chavis nunca se encaixaram no que os donos das grandes gravadoras acreditavam que uma banda de rock formada por membros negros deveria ser e eram constantemente cobrados para parecer mais com o Living Color ou com qualquer outra banda de rock negra da época, ainda que o som e a estética fossem completamente diferentes. O grupo também era taxado de “difícil” de trabalhar pois não aceitavam ser rotulados e queriam fazer as coisas do jeito deles. Enquanto Kurt Cobain era genial por não seguir as regras, eles eram os caras difíceis.

“Você conhece a banda Yeah Yeah Yeahs? Nós eramos o Não, Não, Não.” – Daniel Chavis no Indy Week.

Em 1994 eles lançaram o álbum “Afrodisiac”, repleto de hits e baladas cheias de força e originalidade, como “Last Call”, “Juicy Sandwich” e “I Couldn’t Care Less”, uma mistura de guitarras melosas e distorções típicas do rock alternativo da época, era um hit atrás do outro. Mas devido a queda de braço com a gravadora eles não conseguiram vender o trabalho como deveria. Além de Afrodisiac a banda também lançou os álbuns “Universe Boat” (1996/97) e “Love At First Hate” (1998).

Após anos brigando com a gravadora pelo seu ponto de vista e para fazer o que mais gostavam da maneira que achavam certo, a banda mudou o seu nome para Apollo Heights em 2002 e começaram a fazer um som diferente do que faziam com o The Veldt. Nos anos 2000 o grupo chegou a excursionar com o TV on the Radio, mas eram outros tempos e os irmãos não estavam acostumados com as bandas indies dos anos 2000 e o seu estilo de vida “limpinho”.

Com o Apollo Heights eles lançaram o álbum “White Music For Black People” em 2007, o nome era uma crítica a forma como a música deles era vendida e fazia relação com o álbum de 1950 “Black Music For White People” de Jimmy Jay Hawkins.

Após um longo hiato eles retomaram o The Veldt em 2016 para uma nova geração que não estava interessada em saber se eles eram um grupo de caras negros fazendo música de branco e sim na qualidade do som deles.

Na nova era do The Veldt eles encontraram mais liberdade criativa se mantendo longe das grandes gravadoras e fazendo o seu som por conta própria. O grupo continua excursionando e fazendo boa música por onde passam e em 2017 eles lançaram o EP “Thanks to the Moth and Areanna Rose” que conta com sete faixas inéditas.

Ouça o álbum Afrodisiac do The Veldt:

Referências:
https://pitchfork.com/features/lists-and-guides/9966-the-50-best-shoegaze-albums-of-all-time/
https://www.indyweek.com/indyweek/after-battling-racism-record-label-executives-and-nineties-nostalgia-the-veldt-returns-to-tell-its-storyand-perhaps-for-a-second-chance/Content?oid=5015100
https://noisey.vice.com/en_us/article/rkqvew/white-music-for-black-people-the-veldt-band

Categories: Música