Jeff Buckley: o menino de ouro do rock alternativo

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Jeff Buckley

Existem alguns cantores que conseguiram transcender o seu trabalho e deixaram sua marca na história e mesmo após a sua morte ainda soam como se estivessem vivos e presentes, influenciando gerações ao longo do tempo. Isso é para poucos.

Jeff Buckley foi um desses privilegiados. O “misterioso menino branco” estreou com seu álbum Grace em 1994 e ficou marcado como um dos melhores álbuns de estreia de todos os tempos. E ele como uma das grandes promessas de sua geração.

Eu conhecí o seu trabalho por meio de rádios americanas, pois aqui no Brasil ele dificilmente tocaria em alguma rádio e ainda é praticamente desconhecido do público. Na época eu gostei da música (Last Goodbye no caso), mas não dei muita importância. Um tempo depois um amigo me perguntou se eu o conhecia e decidí saber um pouco mais sobre o cantor. Não teve jeito, me apaixonei.

Jeff Scott Buckley é filho do cantor, igualmente desconhecido por aqui, Tim Buckley. Seu pai foi um músico respeitado, autor de canções que flertam com o folk, jazz e pop e, assim como seu filho, morreu jovem, aos vinte e oito anos, após uma overdose de heroína em 1975. Apesar de sua morte prematura, Tim deixou um legado musical ao qual Jeff não pode se distanciar. A relação entre os dois é mostrada no filme de 2012: Greetings From Tim Buckley, sobre o começo da carreira de Jeff e a sua relutância em aceitar o legado do pai.

Na sua adolescência Jeff decidiu que queria trabalhar com música, mas com medo de ser comparado ao pai decidiu seguir como guitarrista, trabalhando em estúdios e bandas.

Contudo em 1991, em um tributo ao seu pai, Jeff foi convidado a cantar e foi quando todos se deram conta do incrível vocal que ele tinha e da semelhança com seu pai. Logo depois ele entrou para a banda Gods and Monsters como vocalista, mas apesar da banda despertar o interesse de uma gravadora Jeff desistiu do projeto por achar que ainda não estava pronto.

Ele então seguiu para a carreira solo, tocando em um bar chamado Sin-é, em Nova York. Segundo o próprio cantor esse período foi fundamental para o seu trabalho, cantando músicas desconhecidas para pessoas que iam ali para conversar e podendo experimentar canções. Foi nesse mesmo bar que ele foi descoberto por uma gravadora com quem assinou para lançar o seu primeiro álbum.

Jeff Buckley e Paul McCartney
Jeff Buckley e Paul McCartney

Grace foi lançado em 23 de agosto de 1994, sendo aclamado por grandes nomes da música como Paul McCartney, Jimmy Page, Robert Plant entre outros, porém não obteve muito sucesso por ser considerado pouco comercial para tocar nas rádios, na época dominadas pelo então movimento grunge e pelo brit-pop. Seu álbum era muito diferente do que ocorria naquele momento, no entanto seu primeiro trabalho influenciou inúmeros músicos, como Tom Yorke do Radiohead, que já declarou ter composto a música High and Dry após presenciar uma apresentação de Buckley e sair com lágrimas nos olhos.

Dois anos depois do lançamento de seu primeiro álbum, após excursionar pelos Estados Unidos e pela Europa se apresentando em diversos festivais, Jeff começou a trabalhar em seu segundo álbum. Foram vários meses de trabalho e no final ele não gostou do resultado, começando a compor o trabalho do zero, e em maio de 1997 ele e seus colegas de banda deram início as gravações do que seria seu novo álbum.

No dia 29 de maio de 1997, Jeff resolveu parar no Wolf River para nadar um pouco antes de ir para o estúdio. Seu amigo Keith Foti, que o acompanhava, contou que enquanto guardava algumas coisas no carro ouviu Jeff cantando “Whole Lotta Love” do Led Zeppelin e quando voltou não o encontrou mais. Buscas foram feitas no local, mas o corpo de Jeff Buckley só foi encontrado uma semana depois perto da nascente do rio Mississipi. Morria aos trinta anos, de forma trágica, uma das grandes promessas da música.

Em 1998 foi lançado Sketches for My Sweetheart the Drunk, um álbum póstumo com as gravações que Jeff estava trabalhando antes de morrer. Em seguida alguns álbuns com performances ao vivo foram lançados e em 2004 um documentário da BBC sobre Buckley foi lançado.

Amazing Grace: Jeff Buckley conta a trajetória e o legado musical de Buckley e contém depoimentos de artistas como Chris Cornell.

Veja o trailer do documentário:

Hoje quando eu ouço Jeff Buckley é inegável não me emocionar com suas canções sobre o ciclo da vida, entre apaixonar-se, decepcionar-se, sofrer e se apaixonar de novo. E muito além disso, ele colocava a alma em cada canção.

A sua versão de Hallelujah do Leonard Cohen é considerada uma das melhores versões já feitas e é impossível não sentir-se tocado pela voz desse rapaz.

Infelizmente ele morreu jovem, muito antes de atingir a maturidade em seu trabalho, que prometia grandes feitos, mas deixou canções belíssimas que merecem ser celebradas todo dia em memória desse grande cantor.

Faixas do álbum Grace:

Last Goodbye

Grace

Hallelujah

So Real

Forget Her

Mojo Pin

Faixas do álbum Sketches for My Sweetheart the Drunk:

Everybody Here Wants You

Morning Theft

Fotos de Jeff Buckley:

Referências:

http://www.jeffbuckley.com/
http://sabotagetimes.com/music/why-hollywood-will-never-capture-the-magic-of-jeff-buckley/
http://en.wikipedia.org/wiki/Jeff_Buckley

 

Sou formada em Artes Visuais, apaixonada por arte, música, livros e HQs. Editora nos blogs “Las Pretas” e “Sopa Alternativa”, também colaboro com o “Delirium Nerd” e “Blogueiras Negras”.

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