Peter Murphy revive os clássicos do Bauhaus no Carioca Club

Categorias Música
Peter Murphy no Carioca Club 2013

Quarta-feira, 14 de agosto. Um dia frio com o tempo nublado e uma garoa fina. Clima ideal para ir a um show do Peter Murphy.

O show da turnê Mr. Moonlight, que comemora os 35 anos do Bauhaus, estava marcado para começar às 21h30 no Carioca Club, casa de show um pouco ruim para um artista do nível de Murphy. O local estava lotado e na plateia encontravam-se fãs de todas as idades e estilos: alguns punks de boutique, emos, góticos, adolescentes, um público mais velho e até um cara fantasiado de Harry Potter.

Com um pequeno atraso as luzes se apagam e uma moça falando em inglês (assistente de Murphy) surge para apresentar uma prévia do próximo álbum chamado Lion, que será lançado em breve, no telão um clipe com cinco músicas novas deixa um gostinho do que está por vir.

Depois da prévia, a cortina sobe aos poucos com a introdução de King Volcano e eis que surge Murphy com sua voz intacta, seus olhos de vampiro e em ótima forma no alto de seus 56 anos, começava ali o revival do Bauhaus.

King Volcano foi seguida de Kingdom’s Coming e logo após Double Dare ditou o tom do que seria o show. Murphy em seguida engatou a clássica In the Flat Field junto com God in an AlcoveBoys e Silent Hedges seguiram mantendo o ritmo do show.

Quando Endless Summer of the Damned (ótima música do último álbum do Bauhaus de 2008 – Go Away White) começou a ser tocada, o público deu uma esfriada, talvez por não conhecerem esse trabalho, mas eu continuei pulando e cantando, não imaginei que ele fosse tocar algo do álbum recente.

Spy in The Cab antecedeu um dos melhores momentos do show quando, A Strange Kind of Love, música da carreira solo de Murphy, foi introduzida ao som de um violino, o público cantou em uníssono a bela música. Eu não estava acreditando no que via, foi um momento lindo.

E sem deixar por menos Bela Lugosi’s Dead, a icônica música que deu origem ao que seria considerado o rock gótico, dominou o lugar e gritos de “Oh Bela!” e “Bela’s undead!” ecoaram da plateia. Meu sonho de ouvir essa música ao vivo na voz de Peter Murphy foi realizado.

Peter Murphy 35 anos Bauhaus – Bela Lugosi’s Dead:

Ao longo do show Peter Murphy se mostrou bastante simpático, interagindo com o público, mandando beijos e se desculpando pela voz que já não era a mesma. Em seguida Kick in the Eye, The Passion of Lovers, Stigmata Martyr e Dark Entries incendiaram o show e encerraram a primeira parte da apresentação.

A ansiedade era grande, o show já tinha alguns de seus grandes momentos e mesmo assim dois clássicos absolutos do Bauhaus ainda não haviam sido tocados. Foi quando a banda voltou tocando Hollow Hills e nesse momento Peter, já bastante feliz, começou a interagir ainda mais com os fãs convidando algumas pessoas que estavam na plateia para irem ao camarim depois do show e conversando com o resto do público.

She’s in Parties foi um dos últimos grandes momentos do show. Quando sua introdução começou não pude acreditar, eu era só felicidade. A primeira música que ouvi do Bauhaus e que me fez ter vontade de conhecer o resto, estava sendo cantada pelo Peter Murphy em pessoa bem na minha frente. Foi um ótimo momento.

Após o improviso dos músicos e antes de cantar Telegram Sam, Peter chamou ao palco seu amigo Wayne Hussey (ex Sisters of Mercy e The Mission), que estava escondido na plateia, juntos cantaram o cover do T.Rex e encerraram o show com Ziggy Stardust, cover de David Bowie que acabou virando marca registrada da banda.

Parecia que Peter Murphy não queria ir embora e ele arranjou tempo para tocar Subway, música de sua carreira solo, agradecendo imensamente ao público brasileiro em seu último show da turnê.

Com sua banda composta por Mark Thwaite na guitarra, Emilio Di Zefalo no baixo e violino e Nicholas Lucerco na bateria, Peter conseguiu preencher a ausência de Daniel Ash, David J. e Kevin Haskins. Sem querer comparar os músicos, a banda de Murphy se mostrou muito competente em executar as músicas do Bauhaus.

Porém nem tudo foram flores, o local escolhido para o show era um pouco precário e o som estava muito aquém de um show de qualidade. Fora a meia hora sendo obrigada a ouvir um reggae de péssimo gosto escolhido pelo DJ da casa.

Apesar de tudo, em toda minha vida nunca achei que conseguiria ver um show do Peter Murphy cantando apenas as músicas clássicas do Bauhaus, pois quem conhece a banda original sabe que eles não tocam mais juntos desde 2008, época em que lançaram o seu último álbum. E Peter não costuma reviver o Bauhaus em sua sua carreira solo, como ele mesmo demonstrou em sua passagem por aqui em 2009. Foi um belo presente de 35 anos de aniversário do sr. Murphy para os fãs.

Com certeza foi um show que vai entrar para a minha lista de desejos realizados, que venham mais shows memoráveis como este e volte sempre Peter Murphy!

SETLIST:

King Volcano
Kingdom’s Coming
Double Dare
In the Flat Field
God in an Alcove
Boys
Silent Hedges
Endless Summer of the Damned
Spy in the Cab
A Strange Kind of Love
Bela Lugosi’s Dead
Kick in the Eye
The Passion of Lovers
Stigmata Martyr
Dark Entries

BIS:
Hollow Hills
She’s in Parties
Telegram Sam – Cover do T. Rex (com Wayne Hussey)
Ziggy Stardust – Cover do David Bowie (com Wayne Hussey)
Subway

Sou formada em Artes Visuais, apaixonada por arte, música, livros e HQs. Editora nos blogs Las Pretas e Sopa Alternativa.


Deixe uma resposta