Interpol e Smashing Pumpkins no Lollapalooza 2015

Categorias Música

Devo confessar que não sou muito fã de festivais no Brasil, por discordar da forma que eles arranjam para tirar dinheiro do público, cobrando taxas abusivas já na venda de ingressos (sério uma taxa de conveniência de 20% na compra online?), inflacionando o preço de produtos básicos, como água e alimentação, e convocando um line-up raso em termos de qualidade e sem quase nenhuma relação entre si.

Tirando as críticas ao evento e ao público (muitas por sinal), o grande motivo que me fez ir ao festival este ano foram os shows de Interpol e Smashing Pumpkins e eu não saí decepcionada de lá.

Interpol deixou um gostinho de quero mais

Interpol no Lollapalooza

Cheguei ao local do evento em cima da hora para o show do Interpol, que começaria às três da tarde, e segui para o palco Skol, a chuva, que ameaçava cair já fazia um tempo, resolveu se apresentar junto com a banda e ficou mais forte bem no início do show.

O Interpol subiu ao palco com um Paul Banks muito simpático soltando alguns “obrigado” entre as canções, com um público empolgado, mostrando que conhecia bem o repertório da banda, e muito animado com o guitarrista Daniel Kessler, que foi um show a parte no quesito simpatia.

A banda deu preferência por músicas do seu álbum de 2002 Turn On The Bright Lights, mesclando faixas como “Rest My Chemistry” e “Slow Hands”, eles também trouxeram três canções de seu álbum mais recente El Pintor, além da faixa Evil, um dos maiores sucessos da banda.

Mesmo sendo uma formação “da noite” eles não se acanharam em tocar em um horário um pouco deslocado do que estão habituados, a banda merecia mais tempo de show e um horário mais nobre dentro do festival, mas deram conta do recado.

O Interpol fez um show competente e redondo, agradando imensamente a quem aguentou a chuva, e deixou um gostinho de quero mais, já que não tocaram nem a metade das suas melhores músicas, na despedida Paul Banks disse que espera voltar em breve ao Brasil e eu também espero ver outro show deles novamente!

Setlist do Interpol no Lollapalooza:

1 – Say Hello to the Angels
2 – Anywhere
3 – Leif Erikson
4 – Evil
5 – Narc
6 – Rest My Chemistry
7 – Everything Is Wrong
8 – The New
9 – PDA
10 – Not Even Jail
11 – NYC
12 – All the Rage Back Home
13 – Slow Hands

Smashing Pumpkins mostrou o que é fazer rock de verdade

Smashing Pumpkins no Lollapalooza

Após o show do Interpol eu tive um intervalo de algumas horas até o show do Smashing Pumpkins, e aproveitei para dar uma circulada pelo festival, e o que eu vi foi meio desanimador.

Um público que não sabia muito bem porquê estava ali, e um oba oba que não se justificava pelo line-up geral do dia, bandas como Foster The People e The Kooks são legais, mas não sei se tem tanta força e as outras atrações também podiam ser consideradas fracas.

Tirando Pharell Willians (que ficaria melhor em um show fora do festival) e Smashing Pumpkins, mais ninguém ali tinha peso como atração principal.

Voltando ao que interessa, acabei vendo um bom pedaço do show da Pitty para conseguir um lugar bem perto do palco, e me surpreendi com a quantidade de pessoas que ela arrastou para o seu show, além da competência que mostrou ao vivo.

A banda Young the Giant tocou antes do tão aguardado show, eu não conhecia muito do trabalho dos caras mas, no geral, foi uma boa apresentação.

Enquanto estava esperando o show começar fui obrigada a ficar no meio de pseudo fãs do Smashing Pumpkins que se vangloriavam de terem ouvido Mellon Collie and The Infinite Sadness inteiro e acharem que Billy Corgan era um “lixo de pessoa” apesar do excelente trabalho como músico.

Eles só estavam lá atrás de hits antigos dos anos 90, pouco se importando com o que Billy vem fazendo hoje em dia. Foi mais ou menos um revival do show de 2010 no Planeta Terra, e se você vai a um show do Smashing Pumpkins atual com essa expectativa é muito provável que você se decepcione.

Em entrevistas antes do show no Brasil Billy chegou a declarar que não tinha nenhum fã no país e, a julgar pelo o que eu ouvi das pessoas ao meu lado, talvez ele tenha alguma razão no que diz. Mas é claro que existem exceções e algumas pessoas ali me fizeram acreditar que ainda há esperança. Eu mesma sigo o trabalho dele muito além dos hits do passado e das polêmicas do presente, é amor e admiração pelo o seu trabalho mesmo.

Exatamente às 20h30 o Smashing Pumpkins reformado subiu ao palco já mandando de cara Cherub Rock e engatando Tonight, Tonight em seguida, levando a galera ao delírio.

A banda mesclou alguns dos seus maiores hits como 1979 com algumas das melhores faixas do álbum mais recente Monuments To An Elegy, Being Beige, Drum + Fife, Monuments e One and All, marcaram uma ótima presença no show. Além da surpresa que foi ouvir Drown novamente após cinco anos, não pode existir felicidade maior que aquela.

Contrariando o que as pessoas estavam falando dele antes do show, Billy se mostrou muito simpático ao apresentar sua banda reformada com Jeff Schroeder na guitarra, Mark Stoermer (baixista do The Killers) e Brad Wilk (baterista do Rage Against The Machine). Ao falar do aniversário de Perry Farrell, que foi naquele dia, o público se dispôs a cantar parabéns para os dois, já que Billy tinha feito aniversário na semana passada. Ele também lamentou a morte de sua gata enquanto estava em turnê pela américa latina. Além disso as pessoas estavam gritando Willian ao invés de Billy, já que dias antes ele pediu para ser chamado assim e não mais de Billy.

O show teve vários grandes momentos e Bullet With Butterfly Wings encerrou a apresentação de maneira perfeita. Billy voltou para o BIS apenas com um violão e tocou Today acompanhado do coro do público, que fez até a distorção da guitarra, arrancando um sorriso do sr. Corgan, depois ele deixou definitivamente o palco, mas o público ainda queria mais e Zero ficou entalada na garganta da plateia, quem sabe na próxima?

O Smashing Pumpkins mostrou em uma hora e meia o que é fazer rock de verdade sem enrolação, sem firulas e com honestidade, honrando o que foi feito no passado, mas sem deixar de seguir em frente, e muito disso se deve a maneira como Billy enxerga o seu trabalho.

Talvez a banda acabe, como ele já andou declarando, ou siga em frente de outra forma. Porém ela sempre será respeitada e amada pelos os fãs de verdade do Sr. Willian Patrick Corgan.

Setlist do Smashing Pumpkins no Lollapalooza:

1 – Cherub Rock
2 – Tonight, Tonight
3 – Ava Adore
4 – Being Beige
5 – Drum + Fife
6 – Stand Inside Your Love
7 – 1979
8 – Pale Horse
9 – Monuments
10 – Drown
11 – Disarm
12 – One And All (We Are)
13 – United States
14 – Bullet With Butterfly Wings

Bis
15 – Today (acústico)

 

Sou formada em Artes Visuais, apaixonada por arte, música, livros e HQs. Comecei escrevendo sobre música e me apaixonei pela escrita.

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